Jair Naves e seu novo álbum com um título de 93 caracteres

Jair Naves, um ser inquieto no palco.  Foto: Patrícia Caggegi

Nem lembro exatamente quando eu escutei Jair Naves pela primeira vez. Ele ainda era vocalista da banda Ludovic. Vi um post sobre a banda no Hominis Canidae e baixei o som. Escutei o segundo álbum, “Idioma Morto”, e depois o primeiro, “Servil”. Achei aquilo tudo muito cru, mas que soava de uma maneira sincera e intensa. Lembro de ir para faculdade escutando Ludovic no ônibus. Quando fazia meu estágio na Câmara Municipal de Goiânia, descia a Av. Goiás sob o sol do meio-dia escutando Ludovic.

Busquei  gravação de algum show da banda no Youtube e vi que os caras tinham vindo na 11º edição do Goiânia Noise, em 2005. A presença de palco de Jair Naves me surpreendeu, era cênica, mas verdadeira. O cara parecia fazer aquilo como se fosse a última coisa que faria na vida. Era como se ele gastasse todas suas energias ali. Eu precisava ver um show dos caras, aquilo era foda! Mas não deu. A banda acabou em 2009 sem que eu tivesse a chance de poder ver uma apresentação ao vivo.

Imagem de divulgação do 11º Goiânia Noise (2005)

Logo surgiu as notícias do disco solo do Jair Naves, chamado Araguari. Quando escutei pela primeira vez, foi estranho, nostálgico e triste, mas de uma forma boa. Fiquei bastante curioso em ver como Jair Naves se comportaria no palco. Descobri que ele viria em Goiânia. Fui ao show e poutz! A intensidade das apresentações, tão características nos shows do Ludovic, também parecia ser uma marca na nova carreira solo de Jair.

Dias após o meio do mês passado, mas precisamente em 18/09, uma terça-feira, ele disponibilizou seu novo álbum solo. “E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando A Sua Fuga, Cavando O Chão Com As Próprias Unhas” é o nome do segundo trabalho da carreira solo de Jair Naves que começou com “Araguari”.

Em uma primeira impressão, algumas músicas me pareceram ter uma “pegada” Ludovic, mas com uma letra mais parruda. Parece que os dois períodos da carreira de Jair Naves se encontraram ou se aproximaram de alguma forma, como se as obras de Ludovic tangenciassem “Araguari”. Para mim, um álbum que vale muito a pena de ser escutado. Se você nunca escutou nada de Jair Naves, esse é um bom começo:

Por Leandro Gel

Anúncios